
Situada na margem europeia do Bósforo, no distrito de Istinye, esta residência do Autoban Studio conecta a borda tectônica onde a Europa encontra a Ásia — tanto geográfica quanto materialmente. O briefing de design pedia pedras que representassem ambos os continentes, unificadas através de uma linguagem de design compartilhada que reflete a identidade transcontinental única de Istambul.
Marmara White, extraído da lendária ilha no Mar de Mármara que dá nome à cidade, representa a tradição anatólia. Esse mármore é usado no patrimônio arquitetônico de Istambul desde a época bizantina — as colunas internas e painéis de piso de Santa Sofia vieram da mesma formação geológica. Selecionamos blocos dos níveis mais profundos da pedreira, onde o característico fundo bege quente da pedra e seus sutis traços fósseis são mais pronunciados.
O Travertino Clássico da bacia de Denizli representa a tradição mediterrânea fluindo para Istambul a partir do oeste. Ao contrário do mais comum Travertino Silver, o grau Clássico apresenta estruturas de poro maiores e mais irregulares e tons de mel mais quentes. A pedra foi preenchida com cimento pigmentado combinando com sua cor natural e polida a um acabamento fosco para os terraços e a borda da piscina da residência.
Diabásio Cinza — um dolerito turco da região de Kırşehir — foi selecionado para o revestimento externo e elementos paisagísticos. Essa rocha ígnea intrusiva, formada pelo resfriamento de magma em fissuras verticais durante o período Cretáceo, é extremamente dura e praticamente impermeável às intempéries. Sua cor cinza-azulada escura com textura cristalina fina oferece um contraponto natural aos mármores e travertinos mais quentes.
As três pedras são dispostas num gradiente desde a fachada voltada para o Bósforo (Diabásio Cinza, referenciando as águas escuras do Bósforo) através dos espaços internos de convívio (Marmara White, unindo ambas as tradições) até os terraços do jardim (Travertino Clássico, referenciando o Mediterrâneo). O projeto incorpora o que a Autoban descreve como diplomacia geológica: pedras de diferentes continentes trabalhando em harmonia, assim como a própria cidade.
Istambul é a única cidade construída sobre dois continentes. Sua arquitetura deveria refletir essa dualidade geológica.
— Autoban Studio
